31/10 ~ A Dita Curva

Coletivo feminista pernambucano apresenta espetáculo “A Dita Curva” no RJ em 31 de outubro
Teatro Rival Petrobras recebe apresentação que mescla música, poesia, dança e performance

Dez artistas pernambucanas se uniram para criar um espetáculo que mistura poesia, dança, performance e música para refletir sobre o feminino. Assim nasceu o projeto “A Dita Curva”, idealizado pela cantora, compositora e dançarina Flaira Ferro. Sucesso de público no Recife, o show desembarca no Rio de Janeiro no dia 31 de outubro, às 19h30, no Teatro Rival Petrobras. O Sesc Osasco e a Casa Natura Musical, em São Paulo, receberam a apresentação nos dias 21 e 22 de setembro.

A ideia é estimular um ambiente de troca e empatia com o público. “Precisamos contar nossa história sem mediadores ou intérpretes. Precisamos falar com nossas palavras sobre o que sentimos, somos e como queremos desfrutar nossas vidas. Esse espetáculo, assim como tantas iniciativas feministas emergentes, traz, por meio da arte, a autonomia da nossa voz. É político, poético e urgente em uma sociedade patriarcal que mata, oprime e silencia nossa existência”, comenta Flaira.

“A Dita Curva” se opõe às caixas que padronizam a existência em sociedade. Flexível às diferenças, o projeto abraça coletivamente a individualidade poética e a potência criativa de cada artista, sugerindo momentos de canto em grupo, solos, duos e quartetos. Desta forma, violino, percussão, violão, viola e teclado transitam por vários estilos musicais, do maracatu ao rock e ao pop eletrônico. Do ponto de vista cênico, as dez mulheres performam em ações e contextos que viram roda, caminhadas lentas, desenhos assimétricos e outras possibilidades cênicas de ocupar o palco com o corpo. “Queremos tratar desse universo mágico e doloroso que envolve ser mulher em uma sociedade machista, racista, elitista, homofóbica… Por isso, falamos sobre o sagrado feminino, passeando pelas várias camadas com relação a ser mulher, ser mãe, ser gorda, ser negra, ser bruxa, ser deusa, tratando de assuntos difíceis também, como feminicídio e as várias formas de silenciamento”, afirma a poeta, atriz e performer Luna Vitrolira.

Processo criativo

“Sempre procuramos seguir uma linha horizontal, por isso buscamos que todas tivessem voz! A influência foi o feminismo, buscamos não só falar dele e sim colocá-lo em prática, abrindo nossos corações, ouvindo nossos desafios pessoais, cuidando umas das outras”, conta a percussionista e arte educadora Aishá Lourenço.
Para a violinista Paula Bujes, foi interessante perceber que, mesmo com as diferenças, as criações de cada uma se entrelaçaram de maneira potente, unindo música instrumental e vocal, dança, luz e poesia.

“Todo o espetáculo foi criado conjuntamente, cada artista/compositora/cantora, apresentou suas músicas que precisavam ser ditas naquele momento que estávamos vivendo. E, a partir das músicas, já em ordem de repertório, foram surgindo imagens cuidadosamente colocadas no espaço cênico para que cada um que assistisse pudesse ser tocado pelo todo que compõe A Dita”, explica a diretora artística Lilli Rocha.

Além de se dedicarem à Dita Curva, as artistas já têm uma carreira estabelecida na música. “Eu estou com a turnê do meu segundo disco em andamento, produzindo o meu terceiro disco e, recentemente, acompanhei o Gilberto Gil durante sua passagem pelo Nordeste com a turnê do Refavela 40. A Paula Bujes também tem um projeto solo na UFPE, onde é professora de música; a Isadora Melo lança disco novo ainda em 2019 e também está em turnê com o Cordel do Fogo Encantado; a Aishá toca conosco e compõe a banda do Marcelo Jeneci, também em turnê”, relata a cantora, compositora e pianista Sofia Freire.

“Precisamos mostrar o quão forte e gigante somos. Mostrar como mulheres brasileiras, nordestinas ou não, com várias origens e influências musicais, podem se unir em forte potência”, defende a cantora, compositora e musicista Isaar.

SOBRE AS ARTISTAS

Aishá Lourenço – percussionista e arte educadora
Aishá Lourenço nasceu em Olinda e, como percussionista, atuou com Comadre Fulôzinha (PE), Nitin Sawnneye (UK), Amadou e Marian (Mali), Grupo Bongar (PE), Maciel Salú (PE), Lucas e Orquestra Dos Prazeres (PE) e Naná Vasconcelos (PE). Ela também estudou Percussão Popular, na Escola Musical do Estado do Estado São Paulo (EMESP) e Produção Musical na Manchester MIDI School, na Inglaterra. Foi contemplada pelo edital de intercâmbio cultural do Ministério da Cultura para trabalhar como facilitadora musical, em parceria com o Bloco Novo Community Group em UK. Em São Paulo, foi artista-orientadora do Programa Vocacional, em espaços públicos da cidade de São Paulo, como CEUs e Bibliotecas, durante dois anos.

Aninha Martins – cantora, letrista, intérprete e atriz
Aninha Martins conquistou espaço em diversas bandas do Recife, como Sabiá Sensível, D’mingus e a Kazoorquestra, e surpreendeu o público em sua primeira atuação solo no Festival Recife Lo-fi. PA intérprete já fez participações especiais nos discos de Di Melo, Juvenil Silva, German Ra, Matheus Mota e D’mingus, Graxa. Já participou de festivais como Psicodália (2018), SIM São Paulo (2017, Rec’n’Play (2017) e Estéreo MIS com a Céu (2016).

Flaira Ferro – cantora, compositora e dançarina
Nascida em Recife, Flaira Ferro é formada em Comunicação Social. Em 2015, lançou o primeiro disco, intitulado “Cordões Umbilicais”, projeto de música autoral independente que marcou a estreia da artista como cantora e compositora. Elogiado pela imprensa nacional, o álbum entrou na lista dos 100 melhores do ano no site Melhores da Música Brasileira. Flaira vem se destacando como voz atuante da nova geração de compositores e representantes da música pernambucana. Fez parcerias musicais com Chico César e já participou de importantes festivais da música independente nacional e internacional como Recbeat (PE), Prata da Casa (SP), Festival La Soufflerie (França), Festival Ilumina (GO), Festival de Inverno de Garanhuns (PE), Festival Rio2c (RJ).

Isaar – cantora, compositora e musicista
Do Recife, toma a cidade e suas diversas formas de manifestações como fonte de inspiração. Iniciou a carreira em 1995, a convite de Maciel Salu – filho do Mestre Salustiano –, para sair de baiana no Maracatu Piaba de Ouro. Na época, também participava das brincadeiras de Boizinho no Carnaval de Olinda, onde cantava e batucava os instrumentos do Maracatu Rural. Em 1997, passou a integrar a banda Comadre Fulozinha, além de cantar com Antônio Carlos Nóbrega e com DJ Dolores. Firmou identidade desde o primeiro trabalho solo, “Azul Claro” (2006). Imbuída de uma overdose de arte, chegou ao segundo álbum em 2009, “Copo de Espuma”. Em 2014, a pegada marcante da junção do baixo, guitarra e bateria, presente em seus dois primeiros discos, reaparece acompanhada de um naipe de metais, no terceiro CD, “Todo Calor”. Atualmente, canta na Orquestra Santa Massa e tem um projeto de show com Karina Buhr e Alessandra Leão. Dirigiu a trilha sonora para o espetáculo de dança “Leve” e “A Cara da Mãe”, participou de trabalhos audiovisuais como atriz em séries e longas como “Fim de Festa”, “Sujeito Oculto” e “Carro Rei”. Recentemente, produziu o álbum da banda pernambucana Casas Populares da BR232.

Isadora Melo – cantora e atriz
Uma das apostas da nova safra de cantoras brasileiras, a pernambucana Isadora Melo lança o primeiro álbum da carreira: “Vestuário”. Aos 28 anos, sua voz é referência pela precisão e personalidade. Está presente em diversos discos da cena recifense contemporânea, cruzando fronteiras em participações na televisão, como na série “Amorteamo” (TV Globo) e no teatro, escalada por João Falcão para compor o elenco do musical “Gabriela”. Após dois anos do lançamento de seu primeiro EP (“Isadora Melo”, 2014), a artista já tem também na trajetória o convite para compor o time do projeto Cantoras do Brasil.

Laís de Assis – violeira e violonista
Laís de Assis é violeira, violonista, arranjadora, pesquisadora e educadora musical. É graduada em música pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestre em Etnomusicologia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com estudos voltados para a viola nordestina. É Formada em viola de dez cordas e violão popular pelo Conservatório Pernambucano de Música. Já participou de importantes festivais de música em Recife, como Sonora – Ciclo Internacional de Compositoras (2016 e 2017), o projeto Elas São Frevo, promovido pelo Museu Paço do Frevo (2016), o Festival de Cultura Mostra na Roda (2018). Em 2018, Laís esteve entre os oito instrumentistas indicados ao Prêmio MIMO de Música Instrumental.

Luna Vitrolira – poeta, atriz e performer
Nascida no Recife, Luna Vitrolira é poeta declamadora, cantora, atriz, performer, arte educadora, professora de literatura brasileira, pesquisadora de literatura oral, produtora e idealizadora dos projetos de circulação nacional “Estados em Poesia”, “De Repente uma Glosa” e “Mulheres de Repente”. Desde que iniciou a carreira, a artista vem se apresentando em importantes eventos e festivais literários por todo Brasil. Lançou o seu primeiro livro “Aquenda o amor às vezes é isso”, pelo selo LIVRE, de Marcelino Freire, e no segundo semestre lançará seu primeiro disco poético e musical, homônimo, produzido pelo pianista Amaro Freitas.

Paula Bujes – violinista
A violinista gaúcha Paula Bujes reside em Recife desde 2013 e reinventa seu virtuosismo na efervescência cultural da cidade. Ao lado do violoncelista Pedro Huff, lançou em 2017 seu primeiro álbum, “Afluências”, financiado coletivamente por mais de 300 apoiadores. O repertório foi apresentado no Espaço Cultural BNDES (RJ), na série “Música Contemporânea” do Instituto CPFL (Campinas, SP), no Conservatório de Música da UFMG, em Porto Alegre (RS) e no Teatro de Santa Isabel (PE), além de diversas salas de concerto em Recife. Em 2018, participou da gravação e lançamento do CD “Mucambo” estreando dez obras inéditas de compositores recifenses para quarteto de cordas. Em sua trajetória, acumulou vasta experiência como violinista em orquestras e grupos de música de câmara no Brasil e nos Estados Unidos.

Sofia Freire – cantora, compositora e pianista
Sofia Freire é cantora, compositora e pianista do Recife. Em outubro de 2015, lançou seu primeiro álbum, “Garimpo”, em que musicou poesias escritas por diversos autores. Em 2017, venceu, por voto popular, o Natura Musical 2016, que possibilitou a produção do seu segundo álbum, intitulado “Romã” (2017), que teve lançamento aclamado no Teatro Santa Isabel, no Recife, saindo nas principais listas de melhores álbuns do ano. O disco reúne, novamente, poesias musicadas, desta vez, escritas apenas mulheres ao redor do Brasil, como Micheliny Verunschk, Luna Vitrolira e Piera Schnaider. Atualmente em turnê, Sofia foi convidada para participar do show “REFAVELA 40”, de Gilberto Gil, em sua passagem pelo Nordeste.

Ylana Queiroga – cantora e compositora
Uma mistura de personalidade marcante com sonoridade singular, essa é Ylana. Em 2011, antes mesmo do lançamento físico do primeiro álbum, foi considerada artista revelação do Festival Abril Pro Rock (PE), com seu show transmitido ao vivo pela rádio BBC3 de Londres (Inglaterra). Em 2013, despontou como aposta musical de Pernambuco com seu primeiro CD, “YLANA”. A escolha pelo nome homônimo se deu pela tradução hebraica do seu nome: árvore frondosa,e logo os convites para projetos de diversas vertentes também foram surgindo naturalmente. Participações em “Sinfonias e Batuques”, do saudoso Naná Vasconcelos, “Qual o assunto que mais lhe interessa?”, de Elba Ramalho e “Tem Juízo Mas Não Usa”, de Lula Queiroga, são algumas das colaborações realizadas pela artista. Em parceria com Ayrton Montarroyos, gravou Dois Corações, canção integrante do CD indicado ao Grammy Latino 2013, “Herivelto Martins – 100 anos”. Em 2017, lançou o segundo disco, “Vento”, que contou com as participações de Pupilo (Nação Zumbi), Felipe S. e Chiquinho (Mombojó), Marcos Matias, Mc Sombra, André Julião e Nena Queiroga.


Serviço

Teatro Rival Petrobras – Rua Álvaro Alvim, 33/37 – Centro/Cinelândia – Rio de Janeiro. Data: 31 de outubro (Quinta-feira). Horário: 19h30. Abertura da casa: 18h. Ingressos: R$ 70,00 (Inteira), R$ 35,00 (Meia). Venda antecipada pela Eventim – http://bit.ly/TeatroRival_Ingressos2GIaEKp  Bilheteria: Terça a Sexta das 13h às 21h | Sábados e Feriados das 16h às 21h Censura: 18 anos. www.rivalpetrobras.com.br. Informações: (21) 2240-9796. Capacidade: 350 pessoas. Metrô/VLT: Estação Cinelândia.

*Meia entrada: Estudante, Idosos, Professores da Rede Pública, Funcionários da Petrobras, Clientes com Cartão Petrobras e Assinantes O Globo